Texto extraído de Minha Vida


Se tivermos um vilão na atividade física e esportiva ele atende pelo nome de "entorse" e o sobrenome "tornozelo". A entorse de tornozelo é a ocorrência traumática articular mais frequente nos esportes, independente da atividade física ou modalidade que se pratique.

 

Esta lesão articular aguda está associada, por um lado, ao treinamento insuficiente dos músculos e ligamentos que a assistem e, por outro, à qualidade da superfície na qual o esporte é jogado.

 

A primeira providência na prevenção de tão freqüente ocorrência é com a superfície. Buracos, ondulações, piso molhado (que altera a aderência com o calçado esportivo), superfícies com atrito maior nas paradas, mudança de direção e arranques de velocidade são fatores a serem observados. Para os fanáticos por futebol é fácil observar gramados bastante irregulares, verdadeiras armadilhas para os tornozelos dos jogadores.

 

Ao praticante também cabe atenção ao treinamento. Os músculos responsáveis pela estabilidade dinâmica dos tornozelos, dependente de sua força e elasticidade, como os tibiais e fibulares, por exemplo, devem receber programação específica e independente.

 

Junto, os exercícios de propriocepção "treinam" os estabilizadores estáticos, os ligamentos, e também devem ser praticados independentemente da fase de treinamento que o atleta se encontra, ou seja, rotina de treinamento paralela ao desenvolvimento de suas habilidades e condicionamento físico.

 

Se tudo isso falhar há uma grande probabilidade de você torcer o tornozelo em algum momento de sua vida esportiva: movimento articular súbito, inesperado e vigoroso, acompanhado de dor intensa e incapacitante, inchaço (edema) e sangramento, o hematoma. Estes são sinais e sintomas que revelam o dano tecidual estabelecido pelo stress do trauma além do limite suportado pelos ligamentos.

 

Na entorse os ligamentos envolvidos estiram ou se rompem, parcial ou por completo, classificados em grau já visando o planejamento para tratamento: leve, grau I, moderado, grau II, ou grave, grau III. Os leves se resolvem geralmente em até 15 dias enquanto os graves podem estender o tratamento por meses.

 

Ocorrido o fato, pare imediatamente com a atividade para evitar que o quadro possa se agravar. Identifique corretamente o que aconteceu, pois, quanto mais preciso o diagnóstico e precoce o início do tratamento, mais rápido o retorno ao esporte. Aplique gelo, repouse, evite o apoio e deixe o membro acometido elevado. Procure tratamento especializado o mais rápido possível por mais simples que a lesão possa parecer.

 

Negligenciar uma entorse de tornozelo, por mais leve que seja, é condenar a articulação a instabilidade com consequências que podem ser desastrosas.

 

O esporte, qualquer que seja, será retomado apenas após a cura completa do trauma articular. A memória do episódio doloroso ajuda neste início para os mandamentos da prevenção:

 

- Proteger os tornozelos com bandagens ou tensores

 

- Conhecer o tipo de piso e usar o calçado adequado ou mesmo evitar superfícies impróprias para prática segura

 

- Incorporar treinamento específico para a prevenção de recidivas, como fortalecimento muscular e treinos de propriocepção

 

- Condicionamento físico geral, não só o específico e de habilidades relacionadas ao esporte praticado

 

- Siga os conselhos do seu médico assistente. São muito valiosos apesar de você, na maioria das vezes, poder achá-los aborrecidos.

 

Evitar a ação deste "vilão" é muito mais fácil, mais barato e menos doloroso que tomar as providências após o seu, digamos, ataque. Sem levar em conta os meses que ele pode te deixar longe do esporte que você pratica e gosta.