Foi realizado um estudo interessante sobre treinamento muscular inspiratório (TMI) em pacientes com doença renal crônica submetidos a hemodiálise. O estudo foi conduzido pela Universidade Católica de Pelotas e analisou o impacto do TMI sobre a funcionalidade destes doentes.

 

A despeito de algumas falhas metodológicas, como por exemplo, o percentual de carga utilizada no TMI, bem como a frequência de uso (apenas três vezes por semana), o grupo tratado com o TMI apresentou melhores resultados funcionais após 8 semanas. O estudo demonstra que o TMI pode ser uma alternativa segura e viável para tratar estes pacientes que normalmente encontra-se com elevado grau de descondicionamento cardiorrespiratório. Nossa sugestão seria instituir o TMI 7 dias por semana, 2 vezes ao dia, certamente os resultados seriam ainda melhores.

 

Abaixo segue o abstract publicado nos anais da revista ASSOBRAFIR Ciência em 2013.

 

Marques B.F et al. Efeito de um treinamento muscular inspiratório na capacidade funcional e qualidade de vida de pacientes com doença renal crônica. ASSOBRAFIR Ciência. 2013 Dez;4(Supl):87-153

 

Introdução: A incidência e a prevalência de pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) continuam aumentando progressivamente no Brasil e no mundo. Além de comprometer o sistema cardiopulmonar, a DRC pode reduzir a força muscular periférica, podendo ocorrer redução das atividades de vida diária e baixa tolerância ao exercício, descondicionamento físico e prejuízo na qualidade de vida (QV).

 

Objetivo: Verificar o efeito do Treinamento Muscular Inspiratório (TMI) associado ao cicloergômetro na capacidade funcional e QV de pacientes com DRC.

 

Materiais e Métodos: Ensaio clínico controlado realizado no Centro de Nefrologia do Hospital Universitário São  Francisco  de  Paula.  Foram incluídos no estudo indivíduos com DRC que praticavam cicloergômetro transdiálise, divididos em dois grupos pareados quanto ao sexo, idade e tempo de hemodiálise. O grupo A realizou TMI com carga de 40% da Pressão Inspiratória máxima (PImáx) associado ao cicloergômetro, já o grupo B permaneceu com cicloergômetro. Foi avaliado em ambos os grupos a PImáx, através do Manovacuômetro digital Globalmed® (modelo MVD 300, Brasil), a capacidade funcional através do teste de caminhada dos 6 minutos (TC6M), segundo o protocolo da American Thoracic Societye a QV através do questionário Kidney Disease and Quality of Life-Short Form(KDQOLSF). Os treinamentos foram realizados três vezes semanais durante 8 semanas, totalizando 24 sessões.

 

Resultados: O grupo A foi constituído por 9 pacientes sendo 8 do sexo masculino, a média de idade foi de 43± 15,8 anos . A média da Pimáx pré-treinamento foi de 71,3±16,7 cmH2O  e  pós  treinamento  foi  84,4±30,1cmH2 O  com  p=0,03.  O TC6M pré-treinamento obteve média de 414±74,8metros, pós de 493±113,3 metros apresentando p=0,03. Já o grupo B, foi composto por 6 indivíduos, sendo 5 homens, a média de idade foi de 38±12,4anos, apresentando média de Pimáx pré treinamento de 101,8± 23,8 cmH 2O e pós treinamento de 93,3±31,3 cmH2 O com p=0,50. O TC6M pré-treinamento obteve média de 538±74 metros e pós de 562±73,1, apresentando p= 0,02. Os treinamentos em ambos os grupos não resultaram em efeitos significativos na PEmáx e na percepção da QV pelos domínios do KDQOL-SF.

 

Conclusão: O TMI associado ao cicloergômetro transdiálise aumenta significativamente a PImáx assim como  a capacidade funcional em pacientes com DRC.